Estamos comemorando hoje mais um ano de vida de Noélia Estrela (foto ao lado), minha esposa, excelente poeta e contista. A alegria neste momento é imensurável por dois outros motivos: o primeiro está ligado ao nascimento do nosso primeiro filho em comum, previsto para maio, o segundo é que recentemente foi divulgado que um dos seus contos, “Urubus”, foi premiado pelo Bahia de Todas as Letras, um dos mais relevantes prêmios literários aqui da terrinha.Felizes, comemoraremos.
Aproveito a oportunidade para mostrar uma Ode que fiz em louvação ao dia em que conheci a minha metade.
25 DE FEVEREIRO
Para Noélia Estrela
I
Aquele dia, amor,
foi como a seta encontrando o alvo,
foi como a noite escorrendo densa,
foi como o campo recebendo a chuva.
Foi como um verso de Neruda
todo feito à festa e fúria.
Louca, procuravas minha boca,
assim como eu procurava tuas entranhas.
Colori teu corpo com a cor dos sonhos,
me fiz teu servo, minha amada,
enquanto pássaros embalavam nosso galope.
Não era noite nem era dia,
não corria o tempo,
não ardia o sol,
não havia verso na poesia,
sobre o nosso corpo nem sequer lençol.
Não havia solo sob os nossos pés,
não havia nuvens pelo azul do céu,
nenhuma dúvida, nada a nos apressar.
II
Não me serve o tumulto lá fora,
tampouco os sinais de quem pede pra voltar,
pois por ti, Estrela minha, vai meu sangue,
meus olhos quando os fecho,
meus lábios enquanto suspiro.
Este corpo, embora cansado da luta,
caminha para te alcançar
porque é teu ventre o meu repouso
e tua força a força que me faz continuar.
E por me ofereceres a vida
eu trago a ti o esplendor da rosa,
as cores vibrantes das orquídeas,
o horizonte ornado de arco-íris
e a inadvertida presença da poesia entre nós.
Também trago a certeza dos pássaros passando,
por isso me refugio no teu colo,
de onde examino a vida
e agradeço por tudo aquilo que não sou.
Ilhéus/Itabuna 7
25.06.2008








